22.6.17

E tu, já agradeceste hoje?

Foto da minha autoria num local que me enche o coração
Há uns tempos, enquanto fazia uma viagem longa, sentou-se ao meu lado uma senhora, aparentemente, com alguma idade. Bem vestida, sorridente, bem falante e bonita. Tinha 82 anos. Parecia ter 60. Confidenciou-me a história da vida dela, contou-me como viveu o seu amor, como abandonou a sua cidade por ele, e como ele a deixou sozinha, mas nunca só, numa casa grande e vazia, quando partiu, vítima de cancro. Uma casa que ela insiste em partilhar com filhos netos e amigos, a quem dá guarida sempre que quiserem aparecer. 

«De tantos homens que vi e conheci aqui na minha terra, como é que me fui apaixonar por aquele de outra? De tantos, porquê ele?» - disse-me ela, sorrindo. E eu sorri também, e fiz a mesma pergunta a mim mesma. De tantos, porquê ele, a 300km de distância?

Durante as duas horas de caminho que esta senhora partilhou comigo, falamos de tudo...da educação, do mundo atual, do amor...mas ela ensinou-me uma coisa muito importante. «Aprendemos sempre com os outros, sabe? No outro dia vi uma entrevista de uma pessoa que dizia que agradecia pelo que tinha e pelo que não tinha...e eu fiquei a pensar naquilo... Por que é que uma pessoa agradece pelo que não tem? Depois lá percebi...agradece pelo que não tem de mal!»

Entretanto a senhora lá saiu no seu destino e eu fiquei mais umas horas de caminho com os meus pensamentos e com tudo o que ela me disse. E senti-me grata. Porque, realmente, tenho muito pelo qual devo agradecer e nem sempre o faço.

A partir desse dia, passei a pensar para mim mesma: «Agradeço, por tudo o que tenho e por tudo o que não tenho.» Agradeço por ter uma família, amigos, amor. Por ter trabalho, por ter saúde, por ter a felicidade na palma da minha mão. Agradeço por não ter pessoas tóxicas à minha volta, por não ter problemas maiores do que as preocupações que invadem o meu dia a dia. 

«Em cada conversa, aprendemos um bocadinho mais...aposto consigo que um dia ainda se vai lembrar desta conversa e do que uma velhota com 80 anos lhe disse!» - e não é que lembro mesmo?

Agradece pelo que tens e agradece pelo que não tens.
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17.6.17

MAKEUP || Favoritos do Momento


Hoje venho falar-vos dos produtos que tenho usado e abusado nos últimos meses. Produtos que uso diariamente e que não dispenso sempre que me maquilho. Novas descobertas e produtos que estavam já há algum tempo arrumados num cantinho, já a terminar.

14.6.17

«Quem tem alma não tem calma»

A última tatuagem, feita em Novembro.
«Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem achei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.»
Fernando Pessoa

Sei que não tenho andado por aqui, mas muito tem acontecido na minha vida. Como vos disse há uns tempos atrás, trabalho até ao fim deste ano letivo (que está felizmente a terminar) em cinco centros de estudo, o que me confere uma grande carga horária. Maio e Junho são sempre meses complicados, porque faço preparação de exames, mas o mês passado foi particularmente difícil para mim. Muito stress acumulado fez com que fosse parar às urgências duas vezes e que as crises de asma aumentassem, bem como as de pânico.

Tudo isto acontece porque, há uns meses, e após um diagnóstico oficial do qual eu suspeitava há uns dois anos, me foi diagnosticada uma Perturbação Obsessiva Compulsiva. Para quem não sabe, esta é uma perturbação de ansiedade que se caracteriza por, entre outros sintomas, pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que, em algum momento durante a perturbação, são experimentados como intrusivos e inadequados e causam acentuada ansiedade ou sofrimento. No meu caso, eu tenho um problema com organização e pensamentos automáticos (aqueles pensamentos, sempre negativos, que insistem em estar presentes a toda a hora, mesmo durante a noite), o que me fazia estar constantemente exausta e em pânico comigo mesma e com os outros. Todas as noites eram repletas de pesadelos e todos os dias acordava como se me roubassem a segurança. Neste momento, estou medicada e a seguir um tratamento que está a dar frutos. 

A minha vida profissional tem sido complicada. Como mencionei, estou ainda a fazer preparação de exames até ao final deste mês, o que me deixa sem hora de almoço durante a semana. Ser professor é um trabalho gratificante, mas muito cansativo. Hoje em dia, os professores que trabalham em Centros de Estudos ainda são muitas vezes vistos como amas por parte dos pais, como peões por parte dos empregadores e não sendo 'professores a sério' por parte dos colegas que trabalham em escolas. Tenho pensado, todos os dias, em desistir da profissão, sabem...?

Quanto à minha vida amorosa, não me vou alongar muito. Se me acompanham pelo instagram sabem que, desde há mais de meio ano para cá que tenho uma pessoa especial ao meu lado e, simultaneamente, a 300km. Um namorado cuidadoso, carinhoso e paciente, que tem um lado totó e uma inteligência tal que me apaixona cada vez mais. Não, não é fácil manter uma relação à distância, há dias menos bons em que as palavras só querem sair cara a cara. É complicado não nos podemos ver sempre que queremos, mas aproveitamos sempre o máximo de tempo que conseguimos um com o outro e temos todo um esquema próprio para matar saudades, que são muitas. Desde o ligar 'nem que sejam só 5 minutos', a passar um fim de tarde ao telefone até à hora de jantar só para perguntar 'E então, como correu o teu dia?'...E pensar que tudo começou por causa deste blogue...

Estar numa relação à distância implica fazer viagens e custos adicionais que não teríamos se ambos morássemos no mesmo distrito. No entanto, esta relação tem-me ensinado que preciso de tempo para mim. Preciso de parar, de sair, de viajar. Também me tem ensinado que preciso de gerir o meu dinheiro, os meus rendimentos, e fazer um orçamento mensal para o poder fazer. Felizmente, tenho-o feito, saindo da minha zona de conforto com a pessoa certa. No fim deste mês vamos a Aveiro, por exemplo, e já estou a contar os dias!

Já dizia o Fernando Pessoa que 'Quem tem alma não tem calma.', uma frase com a qual sempre me identifiquei, tanto que acabou tatuada no meu braço. Quando a mostrei ao meu médico, disse-me ele 'Tem tudo a ver consigo, realmente...!'. E tem, porque eu sinto em demasia tudo o que é bom e tudo o que é mau até me transbordar o peito e acabo por perder o equilíbrio que tenho tentado ganhar aos poucos. 

A partir de agora, o caminho é em frente.
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4.6.17

Dama de Copas || Get SUMMER Ready

O Verão está a chegar e com as temperaturas a subir começo a pensar nas férias. Não sou muito pessoa de praia, confesso, mas gosto de uma boa ida à piscina! Andei a cuscar uns modelitos e encontrei alguns interessantes na Dama de Copas. Estão debaixo de olho, confesso!
Qual é o vosso preferido?

Podem ver mais modelos aqui:
Dama De Copas
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19.5.17

Das dores de ser Professora...


Este texto é para quem me pergunta sempre sobre o meu dia, sobre a minha profissão e, possivelmente, para todos aqueles Professores que trabalham em Centros de Estudo, como eu.

Sou Licenciada em Línguas Aplicadas, tenho um Mestrado em Educação e Estudos da Criança. Não tenho um Mestrado em Ensino, o que não me permite dar aulas 'numa escola'. Para muitos, isso faz de mim menos Professora do que aquilo que sou, faz de mim menos credível, menos capaz de educar. Trabalho, desde há 4 anos, em regime de Centros de Estudo. Trabalho, até à data, em cinco locais diferentes. Sim, leram bem, cinco. Quem conhece esta realidade, sabe bem que é quase impossível arranjar horário completo apenas num estabelecimento. Lido diariamente com crianças do 1º ciclo até ao secundário. Tenho, no total, mais de 20 alunos ao meu cuidado, a quem dou disciplinas, maioritariamente línguas, em anos bem distintos. Faço preparações de exames. Ensino todos os dias 4 línguas diferentes. 

Às vezes, as pessoas não dão valor à nossa profissão. Todos passamos pelo mesmo, em qualquer uma (e sei do que falo, também já fui repositora de supermercado, por exemplo), mas ser Professor é ingrato. É uma profissão injusta e ingrata, onde muitas vezes não somos reconhecidos pelo trabalho que temos. Trabalho esse que continua em casa. 1/3 do meu quarto é preenchido todos os anos com novos manuais, novas gramáticas, novo material didático e pedagógico. Carradas de livros que carrego comigo todas as semanas e sobre os quais me debruço quando tenho dúvidas, quando tenho que estudar alguma matéria, quando preparo explicações, fichas e trabalhos. 

É um trabalho injusto porque somos muitas vezes 'os maus da fita' para os alunos e para os pais e 'os maus da fita' para os empregadores, que acham que nos estão a pagar demasiado para o trabalho constante que fazemos. Mas é, sobretudo, injusto, no que toca à valorização, no que toca ao reforço positivo (aquele que tanto se insiste em dar aos alunos, para que não percam a motivação)...Os Professores também precisam de motivação, sabem? Dos pais, dos patrões, dos próprios alunos, muitas vezes...só assim conseguem fazer um bom trabalho.

Hoje, estava a dar explicação a uma criança com apenas 9 anos, que muitas vezes me tira do sério, me mói o juízo e me drena a paciência, mas outras me enche o coração apenas com um sorriso. A meio dos trabalhos de casa, levanta-se, abraça-me, e diz-me «És a melhor Professora do mundo! Adoro-te!». Não tive um dia bom, confesso, portanto, aquele momento fez-me esvair em lágrimas na hora, mesmo que eu soubesse que parte daquela 'declaração de amor' era meia aldrabada por ter ajudado com uma pergunta. «Porque é que estás a chorar? Fui eu? Estás a chorar por minha causa?», disse-me...expliquei-lhe que não, que não havia nada errado, ao que a criança em questão, que continuava abraçada a mim, me respondeu: «Sabes, eu só choro, por exemplo, quando alguém me faz mal...alguém te fez mal?»...

Pensei muito naquela pergunta...Alguém me tinha feito mal...? Eu fiz mal a mim mesma...em escolher esta profissão?

Naquele momento, chorei, porque não me sentia valorizada, porque me sentia cansada e injustiçada, porque foi um aluno a dar-me valor, quando essa valorização deveria partir de outro lado. De mim mesma, inclusive. 

Os Professores, inclusive os que não têm um Mestrado em Ensino, também precisam de valorização, sabem? Obrigada ao aluno que ma deu, hoje.
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